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Como nasce um bebê: fases do trabalho de parto e o que fazer em cada uma delas.

17/04/2017

 

Como nasce um bebê? Parece uma pergunta fácil e óbvia de se responder, mas basta a gente tentar se aprofundar um pouquinho nesta questão que percebemos o quanto nos falta de conhecimento e informação a respeito desse assunto.

 

O texto de hoje vai contar pra vocês um pouco sobre os processos fisiológicos básicos que acontecem no corpo da mulher durante o trabalho de parto, apontar sinais para saber identificar cada estágio ou fase deste processo e dar algumas dicas sobre coisas simples mas bastante eficazes a se fazer em cada um deles.

 

Conhecer o processo do nascimento é o primeiro passo para se apropriar do seu parto e ter uma experiência satisfatória e feliz!

 

Tecnicamente falando existem três estágios do trabalho de parto:

 

1. O primeiro estágio está relacionado a dilatação do colo do útero, ou cérvix, e engloba três fases que chamamos de fase latente, fase ativa e fase de transição, como veremos mais à frente.

 

2. O segundo estágio relaciona-se com o período expulsivo do bebê, ou seja o nascimento em si.

 

3. O terceiro estágio se estende desde o nascimento do bebê até a saída da placenta, ou dequitação da placenta, que é quando de fato termina o parto.

 

Pródromo:

 

Além disso , existe uma fase anterior ao trabalho de parto que muitas vezes soa como um “alarme falso”, que na verdade chama-se pródromo. Os pródromos são basicamente contrações de “treinamento” e ao contrário do que muita gente pensa é ótimo ter essas contrações, pois significa que seu corpo está atento e se preparando para o que vem a frente. Geralmente são contrações indolores e podem começar dias ou semanas antes do parto. Algumas mulheres tem contrações frequente e fracas, outras as sentem com mais intensidade e pode durar horas. Mas se você ficar na dúvida se as contrações que você está sentindo são ou não as verdadeiras contrações de um começo de trabalho de parto é provavelmente porque não são!

 

É importante saber disso pois muitas mulheres vão para o hospital apenas com contrações de pródromo e acabam sendo induzidas a uma cesariana desnecessária pois os médicos dizem que elas estão em trabalho de parto e não têm dilatação. Também é muito importante saber que muitas mulheres já tem alguma dilatação semanas antes do momento do nascimento e que isso também não significa que ela está em trabalho de parto. Então fiquem ligadas para evitar uma internação precoce, pois isso aumenta muito a probabilidade de um parto com mais intervenções e até mesmo de uma cesariana desnecessária.

 

Fase latente do primeiro estágio:

 

Ok, mas como saber quando estou de fato entrando em trabalho de parto?

 

Bom, essa seria justamente a fase latente do primeiro estágio do trabalho de parto, que pode durar algumas horas ou até dias. Geralmente é a fase mais tranquila e menos dolorida do trabalho de parto. Existem alguns sinais que indicam o começo do trabalho de parto. Mas muita atenção! Nem todos esses sinais são obrigatórios, alguns podem acontecer logo no início do trabalho de parto, ou então só no final dele, ou então nem acontecer. Cada parto é diferente de mulher para mulhere e de momento para momento. Mas vamos lá:

  • Perda total ou parcial do tampão mucoso: eliminação de uma secreção espessa que lembra clara de ovo com traços de sangue cuja função era tampar o orifício cervical durante a gestação para proteger  o útero e o bebê de organismos externos, como bactérias.

  • Diarréia: alguns hormônios naturais do parto tem efeito laxativo e existe uma tendência natural do corpo a esvaziar o intestino, o que é muito bom pois, posteriormente, pode até facilitar a descida do bebê pelo canal de parto.

  • Rompimento da bolsa, ou rotura da bolsa, ou bolsa rota: o saco/bolsa amniótica que circundou o bebê envolto em líquido amniótico por nove meses se rompe delicadamente, ocasionando um gotejamento constante, ou bruscamente, jorrando grande quantidade de água. Neste momento é importante prestar atenção na coloração do líquido. Se ele estiver claro ou levemente rosado, não há problemas, mas se ele estiver com coloração esverdeada ou mecônio (‘cocô’ de bebê) pode ser um sinal de sofrimento fetal e seu médico ou parteira precisam ser imediatamente consultados. Deve-se evitar o quanto possível exames de toques nesta fase para diminuir as chances de contaminação do líquido e consequentemente do bebê por organismo do meio externo ao útero. Depois que a bolsa se rompe as contrações podem começar só depois de horas. O que se espera é que elas comecem até 24 horas depois do rompimento, então, sem correrias!

  • Dor continua na região sacral e lombar, reflexo das contrações uterinas.

  • Contrações: sinal mais concreto de que o trabalho de parto começou. Geralmente mais intensas, doloridas e ritmadas do que as contrações de pródromo.

O que fazer na fase latente?

 

Nesta fase a mulher não precisa ainda de um suporte físico e emocional efetivo. É importante comunicar sua equipe sobre qualquer um desses sinais, procurar descansar e se manter bem nutrida e hidratada, reservando sua energia para a jornada que vem à frente. Pode-se fazer atividades tranquilas como arrumar a mala da maternidade (mesmo para partos domiciliares programados caso haja a necessidade de transferência), dar um passeio tranquilo, meditar, escrever uma carta para o bebê, assistir a um bom filme romântico ou de comédia e pedir para seu companheiro ou acompanhante checar se ainda há alguma providência de última hora que ele possa se encarregar.

 

Fase ativa do primeiro estágio:

 

Conforme o trabalho de parto progride as contrações ficam mais próximas uma da outra. Quando elas acontecem com intervalo médio de 3 minutos entre uma e outra, ou três contrações a cada 10 minutos, com duração de 40 a 60 segundos por mais de 1h, entramos na fase ativa do primeiro estágio, que indica trabalho de parto efetivo ou franco.

 

Nesta fase o trabalho de parto se intensifica, a mulher começa a sentir a intensidade das contrações, alterar sua consciência e seu comportamento e sentir a necessidade de suporte físico e emocional. É comum ela não conseguir mais falar e se incomodar com sons, conversas ou ruídos durante as contrações, sentir náuseas ou até mesmo vomitar,  e procurar posições diferentes ou apoio para se acomodar.

 

O que fazer na fase ativa?

 

Neste momento é necessário estar sempre disponível para atender as necessidades da mulher, criar um ambiente confortável e silencioso que evite distrações ou interrupções, e lançar mão de alguns recursos para manejo da dor tais como: movimentação e mudança de posição, banho quente de chuveiro ou de imersão, bola de pilates, rebozo, massagem, compressas frias na face e pescoço, aromaterapia, cromoterapia, respiração, vocalização, música, oferecer bebida e alimento à mulher de tempos em tempos, motivação verbal através de elogios e encorajamento.

 

Este também é o momento de checar com equipe médica se já é o momento de encaminhar a mulher ao hospital, ou, em caso de parto domiciliar, verificar se o material necessário está a mão. Para quem vai a maternidade uma dica é estudar o itinerário previamente para se evitar contratempos, dirigir devagar e com cuidado presando pelo conforto e segurança, informar-se de antemão qual é o protocolo e a entrada da internação do hospital e ter todos os documentos organizados em mãos.

 

Fase de transição do primeiro para o segundo estágio:

 

Quando a  dilatação está prestes a se completar entramos na fase de transição, que é a fase mais difícil, porém a mais curta, do primeiro estágio. Popularmente chamamos esta de ‘fase do arrego’, pois é quando muitas mulheres acham que não vão dar mais conta do parto, pedem anestesia ou querem desistir do parto normal. As contrações nesta fase são mais fortes e mais longas, finalizando a dilatação.

É muito comum nesse momento a mulher sentir ondas de frio e de calor, perda de apetite, desinibição, perda do controle, medo ou pânico, vontade de eliminar gases ou cocô, pressão no assoalho pélvico.

 

O que fazer na fase de transição?

 

O importante neste momento é a mulher não tentar controlar a situação e simplesmente procurar respirar, seguir seus extintos e fluir com seu corpo. Quem assiste a mulher não deve procurar reprimir ou limitar seus impulsos instintivos. Apoio verbal dos acompanhantes e equipe é fundamental, lembrando-a que a cada contração seu bebê está mais próximo de nascer e que em breve ela terá seu bebê nos braços. Podem ser usadas as mesmas técnicas para alívio da dor descritas para a fase ativa.

 

Segundo estágio - período expulsivo:

 

Após dilatação total a pressão da cabeça do bebê sobre o assoalho pélvico torna-se mais intensa estimulando uma vontade incontrolável da mulher fazer força para empurrar o bebê para fora, o que chamamos de força de ‘puxo’. Neste momento surge uma força e uma renovação repentina de energia. É comum a mulher sentir mais facilidade em lidar com as contrações ao fazer força para empurrar o bebê. Assim que a cabeça começa a sair existe uma sensação de estiramento ou queimação no períneo popularmente descrita como um ‘anel de fogo’. Este é o momento ápice do parto, muito emocionante e gratificante!

 

O que fazer no período expulsivo?

 

O ideal é que a equipe neste momento deixe a mulher a fazer instintivamente aquilo que seu corpo pede. Se a mulher estiver anestesiada o reflexo de puxo não virá espontaneamente e ela precisará ter um puxo guiado, ou seja, a equipe dirá a ela o momento e o modo certo de fazer essa força. É possível que as contrações se espacem neste período, portanto deve-se aproveitar as brechas para descansar e resguardar energia. Não é incomum algumas mulheres dormirem neste intervalo. Vale a pena lembrar que posições verticais facilitam a descida do bebê pela força da gravidade e tendem a prevenir lesões no períneo. Se a saída do bebê estiver sendo muito rápida deve-se pedir para a mulher tentar não empurrar o bebê para evitar lesões no períneo. Pode oferecer um espelho para ela ver a saída de seu bebê. Todas as alternativas para manejo de dor e suporte físico e emocional descritas nas fases anteriores são bem-vindas! Deve-se evitar episiotomia, fórcep ou kristeler como procedimentos de rotina.

 

Terceiro estágio - dequitação da placenta.

 

Começa logo após o nascimento do bebê e termina com a expulsão da placenta. Neste processo a placenta se desprende da parede uterina e é expelida pelo canal de parto. Geralmente não é instantâneo, podendo levar uma hora ou mais após o nascimento do bebê sem que isso  represente uma complicação. Mas é o momento em que toda a equipe deve estar bem atenta. O que se espera é que este processo ocorra naturalmente sem a necessidade de nenhuma intervenção, mas em alguns casos pode ser que o médico ou parteira optem por intervir e tomar algumas medidas químicas ou mecânicas para acelerar este processo. No momento em que a placenta se desprende a mulher sente novamente algumas contrações, mais fáceis de se lidar, e o expulsivo é tranquilo, pois a placenta tem cerca de um terço do tamanho do bebê e é mole.

 

O que fazer no terceiro estágio?

 

Aguardar o cordão umbilical parar de pulsar antes de cortá-lo, encorajar a mãe a amamentar pois isso estimula o útero a se contrair e eliminar a placenta, segurar o bebê caso a mãe esteja muito cansada ou não estiver em condições. Algumas famílias desejam ficar com a placenta para ritualizar o nascimento de seu filho enquanto outras a descartam, o importante é respeitar a individualidade de cada um.

 

 

 

Bom, esperamos que este texto ajude a compreender um pouco melhor quais são as fases do trabalho de parto. Caso tenham dúvidas ou queiram saber sobre algum outro tema é só mandar uma mensagem para a gente em nosso site www.almaterna.com.br .

 

 

 

 

 

 

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